
As Banhistas (The Bathers) - Gustave Courbet

Quatro Bailarinas - Edgar Degas
Amigdalite. Dor. Dor. Dor.
Não sei se a dor tamanha que estou sentindo me motivou a escrever. Sei apenas que me estimulou a pensar neste ano, única coisa que posso fazer imóvel, evitando dores. Aprendi tantas coisas. Ignorei tantas outras.
Ontem numa conversa [in]formal com o namorado no messenger lembrei-me das aulas de Literatura. Tudo porque falávamos sobre arte. É intrigante o amadurecimento de idéias durante um ano.
Romantismo. Realismo. Naturalismo. Parnasianismo. Simbolismo. Na minha cabeça, uma briga de idéias e valores, cada qual criticando e inovando pensamentos. Reflexo de momentos históricos.
Romantismo é aquele movimento que nos lembra flores, bombons, poemas de amor, enfim, romantismo com letra minúscula. Sim, o Romantismo deixou sua essência entre nós. Indo mais fundo, houve três gerações: a Nacionalista ou Indianista, a Byronista (a mais interessante, na minha opinião) e a Condoreira. Dentro de um mesmo movimento, focos diferentes.
Realismo. Ah! Víamos traços dessa escola literária já na terceira geração romântica. Os condoreiros faziam alusão aos problemas sociais - no Brasil, lutaram pela abolição da escravatura e pela República. A alienação do Romantismo foi fortemente repreendida pelo Realismo. Afinal, o momento histórico que estavam vivendo, a Revolução Industrial, cujas contradições já apareciam, solicitava mais. Tentavam retratar a realidade como ela verdadeiramente era, sem floreio. Era como se o romântico visse a realidade por de trás de um véu e o realista na frente deste, podendo ter uma visão mais ampla, que abrangesse a realidade nua e crua, objetiva.
Na realidade, o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo nasceram quase que em mesma época. Eram movimentos anti-românticos, ou seja, queriam uma realidade transparente. Como eu, deve estar se perguntando por que não são um movimento só. A resposta é bem lógica. Têm aquele objetivo em comum, mais o objetivismo e as descrições, porém guardam diferenças ideológicas que podem ser colocadas assim: o Naturalismo é um Realismo mais científico e o Parnasianismo retorna à cultura clássica, abandonada pelos românticos. Ei, esse assunto muito me interessa! Merece até um parágrafo.
A arte, a literatura, a ciência e a maioria - se não todas - das coisas se constroem em ciclos. Os parnasianos tentavam retomar a cultura clássica a fim de reaverem a objetividade, o alto nível vocabular (se preocupavam tanto com a perfeição formal que foram considerados alienados) e o racionalismo, pontos pelos quais o Romantismo passou por cima. Ciclo lembra doença. Vão me dizer que nunca passaram horas estudando Biologia? E exemplo mais simples não há: o desenvolvimento humano. Adolescentes se tornam adultos. Filhos se tornam pais. As revoltas na adolescência tão criticadas pelos pais são esquecidas, o ser humano ao longo da vida adquire responsabilidades. E mesmo que este seja considerado liberal, em algum ponto, encontramos o velho pai conservador criticado pelos filhos. É atributo dos seres humanos a contradição e a busca pelo novo, mesmo que de novo tenha apenas a roupagem.
Por fim, temos o Simbolismo que emergiu com severas críticas ao Realismo. Acreditavam que assim como a ciência, a linguagem e a pictórica são limitadas. Sendo assim, não conseguimos retratar a realidade como ela realmente é, no máximo, sugeri-la. Sugestão: eis a palavra-chave do Simbolismo. A pintura expressa muito bem a diferença de pensamento, podem comparar As Banhistas, de Courbet e Quatro bailarinas, de Degas (são as pinturas que ilustram esta postagem, respectivamente). O Simbolismo visava primordialmente à sonoridade na obra a fim de aproximá-la da música, utilizando recursos como aliteração e assonância. Outra característica seria o equilíbrio entre o concreto e o abstrato, conseguido através da sinestesia, recurso de linguagem que consiste no cruzamento de campos sensoriais diferentes.
Bom, no próximo ano aprenderei mais sobre a Literatura. Foi um bom exercício mental escrever sobre algo que tive o prazer de estudar. Vou-me, encantada e grata. (Muito obrigada, Karen!)
-- Stella Salim --
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